A indústria brasileira de alimentos e bebidas registrou um novo recorde no uso de plástico reciclado em 2024. Segundo o estudo "Monitoramento dos Índices de reciclagem mecânica de plásticos pós-consumo no Brasil", encomendado pelo Movimento Plástico Transforma e realizado pela consultoria MaxiQuim, o setor incorporou 167 mil toneladas de plástico pós-consumo reciclado (PCR) em embalagens e outros itens utilizados ao logo da cadeia produtivo.
O volume representa um crescimento de 7% em relação ao ano anterior, evidenciando o avanço das iniciativas de reciclagem no setor e o fortalecimento dos compromissos ambientais assumidos pelas empresas do segmento.
De acordo com o levantamento, o plástico reciclado é aplicado principalmente em embalagens para alimentos secos, bebidas não alcoólicas, tampas, rótulos, filmes flexíveis. No caso das embalagens que entram em contato direto com alimentos (embalagens primárias), o PET reciclado é atualmente o único material PCR permitido pela regulamentação brasileira. Ainda segundo o estudo, em muitos casos, o material reciclado já substitui uma parcela significativa da resina virgem, sem comprometer requisitos essenciais como segurança sanitária, resistência, durabilidade e conservação dos produtos.
Já nas embalagens secundárias e terciárias - como caixas, envoltórios e estruturas utilizadas para agrupamento, armazenamento e transporte -, além de itens logísticos e operacionais, o uso de plásticos reciclados é ainda mais amplo, incluindo materiais como PEAD PCR e PP PCR, reconhecidos pela maior resistência e rigidez. Essa adoção contribui para a redução do volume de resíduos destinados a aterros e acompanha a evolução das tecnologias de reciclagem, rastreabilidade de materiais e processos de certificação, que garantem qualidade e conformidade com as normas regulatórias do setor.
Segundo Maurício Jaroski, diretor de química sustentável e reciclagem da MaxiQuim, o avanço é resultado de uma combinação de fatores, como investimentos em inovação, maior oferta de matéria-prima reciclada de qualidade e preocupação crescente de consumidores e investidores por práticas mais responsáveis. "O uso de plástico reciclado na indústria de alimentos e bebidas deixou de ser uma tendência e passou a ser uma estratégia estruturante. O recorde registrado em 2024 mostra que o setor está conseguindo aliar desempenho ambiental, eficiência operacional e segurança do produto", avalia.
De acordo com Simone Carvalho, integrante do grupo técnico do Movimento Plástico Transforma, a expectativa é que os volumes continuem crescendo nos próximos anos, impulsionados por metas públicas de sustentabilidade, pelo decreto para logística reversa de embalagens plásticas, com metas de incorporação de conteúdo reciclado nas embalagens, e avanços regulatórios. "A consolidação da economia circular depende de escala, e a indústria de alimentos e bebidas tem participação central nesse processo, tanto pelo volume de embalagens que utiliza quanto pela capacidade de induzir boas práticas em toda a cadeia", completa.
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