Presente na vida de todos os brasileiros e conhecido por sua versatilidade, o plástico desempenha função fundamental em setores como a construção civil, automotiva, alimentícia e de embalagens. O material também mostra evolução na indústria musical, estando presente desde a gravação analógica até aos algoritmos do streaming, os polímeros acompanham as principais transformações tecnológicas que moldaram a forma de produzir, armazenar e consumir música ao longo do tempo.
Antes de 1887, só era possível ouvir músicas por meio de apresentações ao vivo até o lançamento do fonógrafo, aparelho inventado por Thomas Edson capaz de gravar e reproduzir sons, utilizando um cilindro registrar vibrações sonoras através de uma agulha. Essa foi a inspiração para a criação de uma tecnologia que perdura e é amplamente usada até hoje, o disco de vinil, e é a partir dele que o plástico começa a fazer parte da história da música.
O objeto, que se tornou uma revolução no meio, é fabricado em Policloreto de Vinila, e nele os sons são entalhados no material e a reprodução gera um som natural e com alta fidelidade. O plástico também tem função importante na conservação dos discos, que são frágeis e arranham com facilidade e que podem desenvolver mofo principalmente em climas úmidos.
Alguns anos depois, em 1962, chegou a fita cassete, com o objetivo de criar um formato de áudio compacto, portátil e mais acessível para ser editado. Fabricado em poliéster e revestido com óxido de ferro, o objeto revolucionou a portabilidade musical, tornando-se o padrão analógico dominante nas décadas de 70 e 80.
Em 1982, o policarbonato (PC) pode ser encontrado em uma nova tecnologia para a época, nos compact discs, os CDs. As informações digitais são gravadas em um filme de alumínio integrada à uma base plástica.
Mesmo na atualidade, em que a música é majoritariamente consumida no ambiente digital, o plástico permanece como elemento essencial. Chips de memória, servidores e equipamentos que sustentam o streaming utilizam encapsulamentos plásticos de alta performance, como resinas epóxi, fundamentais para a proteção e a estabilidade dos circuitos eletrônicos.
Não por acaso, o mercado fonográfico brasileiro registrou um faturamento de R$ 3,48 bilhões em 2024, crescimento de mais de 20% em relação ao ano anterior, com o streaming respondendo por cerca de 88% das receitas e mantendo o Brasil entre os dez maiores mercados de música do mundo.
Em paralelo ao avanço digital, o vinil voltou a ganhar espaço no país. Embora represente uma fatia pequena do faturamento total, o formato foi responsável por mais de 75% das vendas físicas em 2024, impulsionado por consumidores jovens, colecionadores e pela valorização da experiência sensorial proporcionada pelo suporte físico. O movimento evidencia que tradição e inovação caminham juntas na indústria musical, ambas sustentadas, em diferentes momentos, pelo plástico.
"Quando observamos a trajetória da música, percebemos que o plástico está presente não apenas como matéria-prima, mas como viabilizador de acesso, democratização cultural e inovação tecnológica. Hoje, o desafio é ampliar essa função com soluções cada vez mais sustentáveis, alinhando desempenho, economia circular e impacto positivo para a sociedade", afirma Simone Carvalho, integrante do grupo técnico do Movimento Plástico Transforma.
Estudos realizados pela Universidade do Texas, nos EUA, em 2021 já mostram o uso de polímeros no armazenamento de dados em nível molecular, indicando que, no futuro, músicas disponíveis em plataformas de streaming poderão estar armazenadas em memórias de plástico nos data centers. Da vitrola aos servidores, o material segue conectando passado, presente e futuro da indústria musical brasileira.
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